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Influenciador Luis Augusto Brito revela diagnóstico de transtorno de tique e compartilha trajetória de descoberta

Com 1,6 milhão de seguidores, ator e apresentador paraibano contou que passou por investigação médica após conviver durante anos com movimentos involuntários, inicialmente associados à ansiedade

Divulgação

O influenciador digital, ator e apresentador Luis Augusto Brito revelou recentemente nas redes sociais que recebeu o diagnóstico de transtorno de tique motor persistente, uma condição caracterizada pela presença de movimentos rápidos, repetitivos e involuntários. O diagnóstico veio após um período de investigação médica, durante o qual o artista chegou a considerar a possibilidade de ter Síndrome de Tourette.

Conhecido pelo bom humor e pelos conteúdos que retratam o cotidiano nordestino e a vida no interior, Luis Augusto, natural de Serra Branca, na Paraíba, decidiu compartilhar a descoberta com os seguidores depois de compreender melhor os sintomas que já faziam parte de sua rotina.

Com uma carreira marcada pela comunicação e pela valorização da cultura nordestina, o artista conquistou uma audiência de mais de 1,6 milhão de seguidores no Instagram. Sua trajetória inclui a participação no programa Só pra Parodiar, do Multishow, em 2017, e na minissérie Onde Nascem os Fortes, da TV Globo, em 2018.

Recentemente, Luis Augusto também assumiu um novo desafio profissional ao ser anunciado como apresentador da transmissão do Maior São João do Mundo, em Campina Grande, pela plataforma Sua Música. O convite foi celebrado por fãs e conterrâneos como mais uma conquista do artista paraibano.

Paralelamente ao momento de destaque profissional, o influenciador resolveu falar sobre uma questão pessoal que muitos seguidores já haviam percebido em seus vídeos: a presença de tiques.

“Gente, olha só. Eu nunca falei sobre isso aqui, mas eu acho que muita gente já percebeu que eu tenho alguns tiques”, contou.

Tiques não são manias ou movimentos feitos de propósito

Segundo Luis Augusto, durante muito tempo os movimentos foram associados principalmente aos períodos em que sua ansiedade estava mais intensa.

“Meu sistema nervoso desconta minha ansiedade em tiques. Tem época que meus tiques estão muito aflorados. Mas tem um tempo que está mais calmo, mais controlado”, explicou.

A avaliação médica, no entanto, mostrou que os sintomas não poderiam ser explicados apenas pela ansiedade. Após a investigação clínica, o artista recebeu o diagnóstico de transtorno de tique motor persistente, classificado pelo CID-10 como F95.1, associado secundariamente a um transtorno de ansiedade generalizada.

De acordo com o psiquiatra Dr. Lucas Cavalcanti Rolim, os tiques são movimentos involuntários que podem começar ainda na infância ou adolescência e permanecer por períodos prolongados.

“O transtorno de tique motor persistente é uma condição caracterizada pela presença de movimentos rápidos, repetitivos e involuntários, que começam geralmente na infância ou na adolescência e permanecem por mais de um ano. No caso avaliado, os primeiros sintomas surgiram ainda na adolescência e, ao longo do tempo, passaram a envolver diferentes regiões do corpo”, explica.

O especialista destaca que é importante diferenciar os tiques de comportamentos voluntários ou simples manias.

“Os tiques não são simplesmente ‘manias’, falta de força de vontade ou comportamentos realizados de propósito. Algumas pessoas conseguem perceber uma sensação ou impulso antes do movimento e podem até segurá-lo por algum tempo, mas essa tentativa costuma gerar desconforto e necessidade crescente de realizar o tique”, afirma.

Ansiedade pode piorar os sintomas, mas não é a única causa

Uma das principais associações feitas por quem apresenta tiques é com o nervosismo. Embora situações de estresse e ansiedade possam aumentar a frequência dos movimentos, isso não significa que sejam responsáveis pela origem da condição.

No caso de Luis Augusto, o diagnóstico também identificou um transtorno de ansiedade generalizada, considerado uma condição associada.

“Situações de ansiedade, exposição pública, cobrança, privação de sono e estresse emocional podem aumentar temporariamente a frequência e a intensidade dos movimentos. Entretanto, isso não significa que a ansiedade seja a única causa dos tiques”, explica Dr. Lucas.

Segundo o psiquiatra, a presença de ansiedade pode funcionar como um fator de agravamento dos sintomas, tornando os movimentos mais perceptíveis em determinados períodos.

“Nesse caso, existe também um diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada, que atua como condição associada e como possível fator de piora dos sintomas”, acrescenta.

Diagnóstico ajudou a explicar sintomas que antes eram atribuídos à ansiedade

Antes de receber o diagnóstico, Luis Augusto chegou a acreditar que poderia ter Síndrome de Tourette, justamente porque a condição também envolve a presença de tiques.

“O pessoal sempre pergunta o que era, eu dizia: é Tourette. Só que a gente estava estudando se era Tourette ou não. Hoje chegamos à conclusão que eu não tenho Tourette. Eu tenho transtorno de tiques primário”, afirmou.

A diferenciação é importante porque os transtornos de tiques possuem características clínicas diferentes e o diagnóstico depende da avaliação médica, da duração dos sintomas, do tipo de tique e da presença ou não de outros sinais associados.

A própria descoberta também ajudou o influenciador a entender por que algumas abordagens anteriores não apresentavam o resultado esperado.

“A nova medicação não estava diminuindo, então não era só ansiedade, não era Tourette. Descobri isso hoje”, contou.

Tratamento é individualizado

O tratamento dos transtornos de tiques não é igual para todos os pacientes. A necessidade de intervenção depende da intensidade dos movimentos, do sofrimento provocado, dos impactos na vida social e profissional e da presença de outras condições psiquiátricas ou neurológicas.

“O tratamento é individualizado e considera principalmente o grau de sofrimento, o impacto na vida profissional e social e a presença de outras condições associadas. Atualmente, a abordagem inclui acompanhamento médico regular, psicoterapia, tratamento dos sintomas ansiosos e da insônia e monitoramento específico da evolução dos tiques”, explica Dr. Lucas Cavalcanti Rolim.

Quando os tiques provocam prejuízo significativo, também podem ser utilizadas estratégias específicas para o controle dos movimentos.

“Quando os movimentos provocam prejuízo relevante, também podem ser indicadas intervenções comportamentais direcionadas aos tiques e, conforme a necessidade, medicamentos específicos”, afirma o psiquiatra.

No caso de Luis Augusto, o acompanhamento médico levou também à introdução de uma nova medicação voltada aos sintomas.

“É algo que, tipo assim, é como a pele, está em mim. Eu tenho isso, sabe? E dá para controlar com essa nova medicação, graças a Deus”, disse.

Mais do que controlar os movimentos, compreender o diagnóstico

Para o especialista, o objetivo do tratamento não deve ser apenas fazer com que os tiques desapareçam. A proposta é permitir que a pessoa tenha mais autonomia e consiga desenvolver suas atividades sem que a condição se transforme em um obstáculo permanente.

“O objetivo do tratamento não é apenas reduzir os movimentos, mas proporcionar mais autonomia, qualidade de vida e segurança para que o paciente continue desenvolvendo suas atividades pessoais e profissionais sem que o diagnóstico seja transformado em um rótulo”, ressalta Dr. Lucas.

A decisão de Luis Augusto de falar publicamente sobre o diagnóstico também ajuda a combater interpretações equivocadas sobre os tiques. Movimentos involuntários podem chamar atenção e gerar comentários, mas não devem ser tratados como motivo de piada, falta de educação ou comportamento deliberado.

Ao compartilhar sua experiência, o influenciador amplia a discussão sobre condições neurológicas e psiquiátricas que ainda são pouco conhecidas pelo público. A exposição também mostra a importância de procurar avaliação especializada quando movimentos involuntários persistem ou começam a interferir na rotina.

Com humor, autenticidade e uma relação próxima com os seguidores, Luis Augusto decidiu transformar uma característica que durante muito tempo foi explicada apenas pela ansiedade em uma oportunidade para falar sobre saúde e autoconhecimento.

“Estou mais calmo agora, vou controlar”, afirmou.

A história reforça que receber um diagnóstico não significa ser definido por ele. Com acompanhamento adequado, tratamento individualizado e informação, pessoas com transtornos de tiques podem manter uma vida ativa, profissional e social, aprendendo a reconhecer os fatores que aumentam os sintomas e encontrando estratégias para lidar melhor com eles.

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Escrito Por

Miguel Lucas 33 anos, Publicitário e Jornalista, amo a cultura pop, viagens e shows, criei o Agito Pop, na intenção de levar o melhor do entretenimento para a galera e agitar muito a internet.

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