A espiritualidade está em evidência na música brasileira. Depois de Anitta levar fé, ancestralidade e autoconhecimento para EQUILIBRIVM, diferentes artistas da cena independente reafirmam que esses temas também têm espaço no pop, na MPB, no soul e em muitas outras sonoridades.
Não existe uma única forma de traduzir o sagrado em música. Para alguns, ele aparece na busca por reconexão pessoal; para outros, na ancestralidade, nos mantras, na natureza ou em mensagens de leveza. É o que une, em diferentes universos, Bárbara Grando, Chandra Lacombe, Alessandra Leão, Myrella Nascimento e Raiane Castro.
A cantora, compositora e multiartista paranaense Bárbara Grando leva essa reflexão para o pop eletrônico. Em “Dizendo Sim Pra Mim (Pra Deus)”, seu lançamento mais recente, ela transforma fé e autoconhecimento em uma canção sobre liberdade interior.
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A faixa fala sobre a decisão de dizer “sim” à própria essência e também a Deus. Com uma abordagem íntima e contemporânea, Bárbara Grando usa a música para abordar entrega, escolhas e a coragem de seguir um caminho coerente com quem se é.
Esse universo está presente desde Tapetum Lucidum (2024), EP de estreia da artista. Guiado pela ideia de encontrar luz em meio à escuridão, o projeto traz músicas como “Nova Era”, parceria com Gavi, e “Voilà”, que ampliam temas de renascimento, transformação e descoberta interior.
Com décadas de trajetória entre música e espiritualidade, Chandra Lacombe reúne referências de tradições orientais, medicina sul-americana, yoga e mantras. No trabalho solo e na história com o Udiyana Bandha, grupo que ajudou a fundar, a música surge como instrumento de expansão da consciência. Em projetos como Estação Bhakta e na Fusão Divina, kalimba, percussões e elementos meditativos conduzem essa experiência.
A pernambucana Alessandra Leão encontra na ancestralidade afro-indígena e afro-brasileira a base de sua pesquisa artística. Indicada ao Grammy Latino em 2019 pelo álbum Macumbas e Catimbós, a cantora, compositora e percussionista combina tradição, pesquisa e contemporaneidade em uma obra marcada pelos saberes dos terreiros, pelos tambores e pelas manifestações populares.
Seu single “Irôko em Montevideo”, lançado em 2026, continua essa investigação sobre memória, território e espiritualidade. Alessandra também participa de EQUILIBRIVM, de Anitta, como uma das convidadas.
A paulistana Myrella Nascimento combina soul pop e MPB com misticismo, sagrado feminino, natureza, astrologia, tarot e orixás. Cantora, violonista e compositora, ela tem mais de 25 anos de carreira independente e mais de 40 músicas lançadas.
Já Raiane Castro constrói sua fase autoral a partir de mensagens de amor, paz, conexão e boas energias. O projeto iniciado com “Eleva”, em 2025, nasceu de um chamado espiritual, segundo a artista. “Tão Simples” dá continuidade a essa proposta, que também guia seus próximos lançamentos.
Os cinco nomes mostram que falar de espiritualidade na música vai além de uma estética ou crença. É uma forma de transformar vivências pessoais em canções capazes de conectar fé, identidade, ancestralidade e novas maneiras de olhar para si.
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Bruno Pirozi é graduado em Comunicação Social pela Universidade Cândido Mendes, com especialização lato sensu em Cinema e Audiovisual, e possui título de Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, aprimorou-se em Assessoria de Imprensa por meio da Escola Patrícia Alves, integrando a Assessoria de Imprensa Freedon.