Em entrevista exclusiva e cheia de humor ao AgitoPop, os irmãos Pedro e Lugui revelam a essência nerd por trás dos projetos, o peso de tocar ‘em casa’ no New Dance Order e como a família reagiu ao sucesso da dupla.
Se você imagina que a rotina de um DJ internacional é feita apenas de champanhe, hotéis de luxo e viagens de primeira classe, a dupla carioca Cat Dealers está aqui para desmistificar o clichê. Por trás dos palcos gigantescos e dos hits que acumulam milhões de reproduções, os irmãos Pedro e Lugui Henrique mantêm a essência essencialmente nerd, a cumplicidade de infância e, claro, a inevitável rotina de brigas entre irmãos.
Prestes a subir mais uma vez ao palco eletrônico do Rock in Rio, a dupla bateu um papo exclusivo e divertidíssimo com o AgitoPop. Entre risadas, eles detalharam a engenharia do novo show, a ansiedade de dividir o festival com ídolos do rock e do pop, e como a apresentação na Cidade do Rock serviu como a “provação final” para a própria família.
Para quem já rodou os quatro cantos do mundo, tocar no Rio de Janeiro, cidade natal da dupla, traz uma nostalgia especial. Frequentadores assíduos do festival desde a adolescência, quando iam como fãs para assistir a nomes como Red Hot Chili Peppers, NSYNC e Britney Spears, os DJs relembram que o evento marcou uma virada de chave em suas vidas pessoais e profissionais.
Entretanto, para além da relevância na cena eletrônica, tocar no maior festival do país teve um papel fundamental (e cômico) na dinâmica da casa dos Henrique:
“A primeira vez que a gente tocou no Rock in Rio foi quando todas as pessoas da nossa família entenderam que estava dando certo! A gente tocava em festa e tal, mas a galera mais velha não estava entendendo nada do que a gente estava fazendo. Quando tocamos no Rock in Rio, eles pensaram: ‘Meu Deus, eles deram certo!’. O Rock in Rio é a grande experiência para todo mundo no Brasil.”
Trabalhar em dupla já é um desafio, mas fazer isso com o próprio irmão exige um nível de paciência quase olímpico. Questionados sobre como conciliam as divergências criativas e operacionais, Lugui não escondeu que o clima de debate é o estado natural dos dois. Minutos antes de entrarem na entrevista, por exemplo, a dupla já estava em uma acalorada discussão por conta de orçamentos.
A chave para o sucesso da parceria, segundo eles, é a absoluta falta de filtro combinada com a confiança cega que só o sangue permite. “Estou acostumado a mandar ele ir se f desde que nasci! Se for com outra pessoa, você guarda mágoa. Com irmão, dá dez minutos e já passou”*, brincou Lugui, reforçando que a sintonia no estúdio supera qualquer desentendimento momentâneo.
A transição da vida pacata para as pistas de dança também passou longe do caminho tradicional dos frequentadores de festas:
“Para ser DJ tem dois caminhos: ou é a galera muito festeira ou é a galera nerd. Eles se encontram no DJ. E a gente veio do nerd! Jogávamos muito videogame junto, RPG… Aí teve um momento em que só trocamos o videogame pela música. Sentar no computador e baixar programa pirata quando você não tem dinheiro… Tem que ser muito nerd para entender aquilo! A música foi uma consequência disso.”
Escalados para se apresentar em um dia de programação com forte apelo ao rock, os Cat Dealers garantem estar preparados. Pedro, fã “de carteirinha” de bandas como Foo Fighters e Blink-182, confessou que fica apreensivo ao dividir o mesmo evento com Dave Grohl. Já Lugui revelou que está organizando toda a sua logística pessoal para conseguir acompanhar o show do lendário Elton John.
A dupla explica que montar um setlist para o Rock in Rio exige entender a “física” e a circulação do público. Como a plateia do dia varia de acordo com as atrações do Palco Mundo, os DJs preparam roupagens inéditas, releituras e edits exclusivos para criar uma conexão imediata com quem passa pelo espaço.
O que esperar do Cat Dealers no Rock in Rio:
- Estrutura sob medida: Apresentação criada especialmente para o novo visual e engenharia do palco New Dance Order.
- Setlist 100% renovado: Todos os grandes sucessos da dupla ganharão versões, edits e roupagens inéditas.
- Espectáculo visual: Trabalho conjunto com equipes de iluminação e VJ para criar uma experiência imersiva.
- Torcida na plateia: A tradicional presença da irmã mais nova e da família acompanhando o show direto da área VIP.
Em relação à dinâmica do palco eletrônico, espaço que não para um segundo durante as maratonas de shows, os DJs garantem que não tentam “forçar” a retenção de quem está apenas transitando pela Cidade do Rock, mas sim entregar o melhor espetáculo possível para quem escolhe ficar.
“O Rock in Rio é um divisor de águas. A gente não atualiza o nosso show como espetáculo o tempo todo, então esses grandes festivais funcionam como checkpoints. O Rock in Rio é sempre a estreia de um momento totalmente novo na nossa carreira”, finalizou a dupla.
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