Quando se fala nos impactos da obesidade sobre a saúde, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares costumam aparecer primeiro. Para os homens, porém, existe outra relação que merece espaço nessa conversa: o excesso de peso também pode estar associado a alterações metabólicas e hormonais capazes de repercutir na saúde urológica.
Sintomas como jato urinário fraco, dificuldade para começar a urinar, sensação de que a bexiga não esvaziou completamente, urgência e idas frequentes ao banheiro, inclusive durante a madrugada, tornam-se mais comuns com o avanço da idade. Mas isso não significa que devam ser simplesmente normalizados.
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Segundo o Dr. Mark Neumaier, urologista, a obesidade não deve ser apontada como causa única desses sintomas. Ela faz parte de um conjunto de fatores que precisam ser avaliados.
“O homem pode associar a dificuldade para urinar exclusivamente à próstata, mas o funcionamento do trato urinário é mais complexo. Obesidade, alterações metabólicas, diabetes, envelhecimento e o próprio aumento benigno da próstata podem coexistir. Por isso, tratar o sintoma sem entender o contexto clínico pode deixar parte do problema de fora”, explica.
Excesso de peso faz a próstata crescer?
Essa relação não é tão direta quanto pode parecer. O aumento benigno da próstata, conhecido como hiperplasia prostática benigna, é fortemente relacionado ao envelhecimento. O que os estudos vêm mostrando é que obesidade e síndrome metabólica podem estar associadas a maior ocorrência ou progressão de alterações prostáticas e sintomas do trato urinário inferior.
“Não podemos dizer ao paciente que ele ganhou peso e, por isso, sua próstata simplesmente aumentou. O que existe é uma interação entre fatores metabólicos, hormonais e inflamatórios que pode participar desse cenário. É justamente por isso que saúde prostática não deveria ser discutida de maneira isolada da saúde geral do homem”, afirma Mark.
O acúmulo de gordura abdominal merece atenção porque costuma caminhar junto com resistência à insulina, alterações da glicemia, hipertensão e dislipidemia. Para o urologista, uma consulta motivada por uma queixa urinária pode, inclusive, revelar que outros aspectos da saúde precisam ser investigados.
“Às vezes, o paciente chega porque está levantando três ou quatro vezes durante a noite para urinar e quer apenas um medicamento para a próstata. Só que noctúria, urgência e aumento da frequência urinária não são sintomas exclusivos de doença prostática. Diabetes descompensado, alterações da bexiga, medicamentos e outros problemas também podem estar envolvidos”, alerta.
Emagrecer pode melhorar o fluxo urinário?
A perda de peso não deve ser apresentada como tratamento isolado para uma obstrução causada pela próstata. Se existe uma alteração urológica que exige medicamento, procedimento ou outra intervenção, emagrecer não substitui essa abordagem.
Por outro lado, cuidar do peso, praticar atividade física e melhorar a saúde metabólica pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado.
“Uma das mensagens importantes é não vender a ideia de que perder alguns quilos fará a próstata diminuir ou resolverá qualquer dificuldade para urinar. O benefício está em melhorar o conjunto da saúde metabólica e reduzir fatores que podem contribuir para sintomas e doenças. Quando há uma causa urológica específica, ela precisa ser tratada adequadamente”, esclarece o especialista.
Também não é recomendável esperar que os sintomas se tornem intensos para procurar avaliação. Dificuldade progressiva para urinar, sangue na urina, infecções urinárias recorrentes, incapacidade de esvaziar a bexiga ou retenção urinária exigem atenção médica.
Para Mark, o mês de prevenção da obesidade pode servir justamente para ampliar a forma como os homens enxergam a própria saúde.
“Próstata, bexiga, peso, glicemia e saúde cardiovascular não pertencem a corpos diferentes. Quando um homem procura o urologista, temos a oportunidade de olhar além de um exame ou de um sintoma. Cuidar do peso não substitui o acompanhamento urológico, mas saúde metabólica e saúde urinária podem, sim, fazer parte da mesma conversa”, finaliza o Dr. Mark Neumaier, urologista.
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Miguel Lucas 35 anos, Publicitário e Jornalista, amo a cultura pop, viagens e shows, criei o Agito Pop, na intenção de levar o melhor do entretenimento para a galera e agitar muito a internet.