CAJU apresenta relatos extremamente pessoais e mistura estilos variados, como pop, samba, jazz, house, pagode, arrocha, disco e reggae. O disco conta com colaborações especiais de Lulu Santos, BaianaSystem, Anavitória, Pabllo Vittar, Priscila Senna e outros convidados.
Liniker com todo seu sentimento que transborda, além do seu álbum a artista escreveu uma carta para CAJU, leia:
“Querida Caju, bom dia.
Me escrevo esta carta em primeira pessoa pelo exercício de me ver assim, livre, nessa estrada longa à um destino que eu ainda não sei como será, mas em que acredito veementemente, porque agora eu aprendi a andar, depois de ficar de pé.
Escrevo isso e me lembro daquela cena do meu filme preferido, Kill Bill, quando a Beatrix Kiddo fica horas depois do coma tentando mexer os dedos, deitada na parte de trás do carro.
Hoje eu aprendi a correr, e é por isso que eu acordei e quis me colocar num ônibus com direção ao futuro. Eu pretendo passar o dia me observando atenta e peço, no fundo do pensamento, tomara que seja um dia de sol! E se houver neblina, que eu seja um sol interno.
De olhos abertos, eu observo o movimento na estrada e penso na minha trajetória até aqui, nas inúmeras coisas que meus olhos já viram, e eu me percebo sendo uma grande colecionadora de memórias bonitas. É claro, dentro dessas memórias, também existem os equívocos e os deslizes, os tombos e alguns precipícios, mas é impressionante que, mesmo com esses declínios, eu ainda lembro como voar.
Agora, com os fones de ouvido bem ajustados, eu sei que quero um dia dançante depois de passar por esse estado em que o corpo fica amuado e onde, naturalmente, eu fico de calundu e me esquivo de qualquer coisa que me atravesse, pela escolha de viver o ranço. Chega. Eu realmente prometi ser o SOL hoje, desde o momento em que entrei nesse ônibus.
Eu vejo o trem passando na janela e penso que, às vezes, é preciso alguém ou um movimento espelhado ao seu, que lhe faça encontrar um outro sentido para os domingos. Quando o relógio marca às 13h, parece que o dia será um grande enguiço, um embrulho, um negócio efêmero.
Se eu pudesse, hoje eu faria um dia eterno, um astro noturno, uma fogueira que não se abala pela água, um eclipse de estrelas. Se eu pudesse, o dia de hoje seria disruptivo a tudo o que é lógico.
Sorrio ao me imaginar assim, com meu possante na estrada.
É preciso ser o retrogosto da boca, e ser eterna em alguma memória. Seu nome não é Caju à toa”
E você? Já tem sua música favorita?