De funcionária da UNESCO à estrela em ascensão no mundo do entretenimento, Namo Alisa conquistou muito mais que uma coroa ao se tornar Miss Grand, ela se transformou em um símbolo de autenticidade, coragem e representatividade.
Em entrevista exclusiva, a modelo e criadora de conteúdo tailandesa relembra os desafios de se reinventar profissionalmente, fala sobre o apoio emocionante que recebeu da América Latina, especialmente do Brasil, e destaca a importância da visibilidade LGBTQ+ em concursos de beleza. Com uma trajetória marcada por superações e propósito, Namo Alisa mostra que ser uma Miss vai muito além da aparência — é também sobre inspirar e transformar vidas.
O AgitoPOP conversou com Namo Alisa e vamos te levar pra conhecer mais um pouco da modelo, será que podemos sonhar um dia com a vinda de Alisa para o Brasil?
AP: Alisa, como foi o processo pra você se tornar uma Miss Grand? Quais foram os maiores desafios e momentos de superação? E o que isso mudou na sua vida pessoal e profissional?
Participar do Miss Grand sempre foi um sonho meu. Mas é uma competição bem completa, sabe? Eles avaliam os 4 Bs – Beauty, Body, Brain e Business (Beleza, Corpo, Inteligência e Negócios). Então não é só sobre ser bonita, vai alé.. Tem que mostrar que você pensa, que tem atitude, que sabe se comunicar e até empreender.
Quando decidi entrar, precisei sair totalmente da minha zona de conforto. Me preparei física e mentalmente, porque o negócio é intenso. Antes disso, eu trabalhava com pesquisa e educação – uma área super diferente. Então tive que aprender a me posicionar, criar minha marca pessoal, buscar mais visibilidade, engajar o público… tudo isso foi novo pra mim.
Um dos maiores desafios foi conciliar tudo no começo. Eu ainda tava trabalhando na UNESCO e terminando meu mestrado no AIT. Foi uma loucura organizar o tempo e dar conta de tudo com qualidade.
Mas, olha, o Miss Grand mudou completamente meu rumo profissional. Abriu muitas portas no mundo do entretenimento e da mídia. Fora que me ajudou muito a desenvolver minha comunicação e minha confiança – coisas que levo pra tudo que faço hoje.
AP: Quais são seus próximos projetos?
No momento, tô gravando uma série (GLGF) e também trabalhando em alguns projetos como criadora de conteúdo e modelo. E, num futuro próximo, tô na torcida pra conseguir um papel como atriz em alguma série GL.
AP: A gente sabe que o Brasil tem um carinho enorme por você. Como você se sente sabendo que tanta gente por aqui se inspira na sua trajetória? Já teve alguma experiência marcante com o público brasileiro?
Eu sou muito grata por todo esse carinho que o Brasil tem por mim! De verdade. Eu sou super fã de concursos de beleza, e algumas das minhas maiores inspirações são brasileiras. Elas me ajudaram a construir uma personalidade mais forte e confiante.
E, olha que legal: já faz um tempinho que tô aprendendo espanhol, então acho que consigo me comunicar melhor! Sempre que vejo comentários em espanhol nas minhas lives ou vídeos, fico ainda mais motivada a continuar aprendendo. É uma chance de me conectar mais.
Agora, falando em momentos marcantes… com certeza foi durante o Miss Grand 2024! Senti muito amor vindo da galera da América Latina. Quando tive que vender produtos como parte da competição, eles deram um jeito de me apoiar. Me mandaram carinho, café, comida… foi muito especial! Mesmo estando longe fisicamente, eles moram no meu coração. O apoio e o amor que recebi aqueceu meu coração de um jeito que nunca vou esquecer.
AP: Como uma mulher LGBTQ+, como você enxerga o espaço para a comunidade dentro do mundo dos concursos de beleza? Você enfrentou alguma dificuldade por fazer parte da comunidade ou foi bem recebida?
Olha, eu acho que Bangkok é super de boas quando o assunto é LGBTQ+. Tenho sorte de vir de um país bem aberto em relação à diversidade, então nunca sofri preconceito por conta da minha identidade no mundo dos concursos. Pelo contrário, sempre senti que tanto os fãs quanto os próprios concursos são bem mente aberta com esse tipo de interação mais fofa — seja entre amigas próximas ou algo mais.
Eu, pessoalmente, apoio muito que as misses sejam autênticas e abertas sobre quem são. A gente tem um alcance grande e pode representar a comunidade LGBTQ+ de um jeito super positivo. Apesar de o universo dos concursos já ser bem acolhedor nesse sentido, eu ainda sonho com um mundo onde mais pessoas, em todos os lugares, sejam mais abertas e inclusivas com quem faz parte da nossa comunidade.
AP: Você acha que os concursos de beleza hoje em dia evoluíram em relação à aceitação e inclusão de pessoas LGBTQ+?
Acho que aqui na Tailândia os concursos de beleza são bem inclusivos e abertos pra comunidade LGBTQ+. Por aqui, inclusive, rolam concursos específicos pra pessoas trans e até pra tomboys! Então dá pra ver que tem espaço pra todo mundo brilhar.
AP: A Tailândia tem sido cada vez mais vista como um lugar de apoio à comunidade LGBTQ+. Como você enxerga essa evolução no seu país?
Acho que um dos motivos da Tailândia ser tão mente aberta com esse tema é por causa da nossa cultura budista. No budismo, o foco é mais em coisas como não trair ou não se envolver com alguém que já tem um parceiro — não tem nada que condene diretamente questões de gênero ou relações entre pessoas do mesmo sexo. E isso, de certa forma, ajudou a sociedade a ser menos preconceituosa quando o assunto é relacionamento. Isso facilita bastante a aceitação e inclusão da nossa comunidade por aqui.
AP: Muita gente, especialmente da comunidade LGBTQ+, te vê como uma inspiração. Como você lida com essa responsabilidade e com o impacto que pode ter na vida das pessoas?
Como criadora de conteúdo assumidamente queer, eu espero poder contribuir com mais visibilidade pra comunidade LGBTQ+ nesse conteúdo que a gente consome todos os dias. Também quero inspirar quem me acompanha a ter mais confiança em quem é — sua identidade não deveria limitar seu sucesso ou quem você quer se tornar.
AP: Que mensagem você gostaria de deixar pra quem se sente representado por você, mas ainda enfrenta desafios na própria jornada?
Eu diria pra você viver de forma autêntica. Se ainda tá nesse processo de se descobrir, tenta abrir seu coração e ter coragem pra abraçar quem você realmente é. Conversar com amigos ou com a família pode ajudar muito nesse caminho de aceitação. No fim das contas, só você pode decidir o tipo de vida que quer levar — e ela precisa ser fiel a quem você é de verdade.
Carolina Maria, 33, jornalista da periferia, autoria do livro “Pensamentos desalinhados”. “Escolhi o jornalismo pra levar a informação para todas as pessoas, seja ela qual for.”
