Quinze anos não são apenas uma marca no calendário: para o Lollapalooza Brasil, representam uma jornada contínua de reinvenção e diálogo com a cultura jovem. Em entrevista ao AgitoPop, Marcelo Beraldo, diretor do festival, revelou os bastidores da curadoria e a filosofia por trás do cartaz histórico de 15 anos de Lolla no país.
Longe de se apoiar apenas na nostalgia, o festival reafirma sua identidade urbana e diversificada ao equilibrar o legado com o que há de mais vibrante na música atual. Manter um festival de grande porte relevante ao longo de uma década e meia exige precisão no olhar curatorial. Para Beraldo, o segredo é acompanhar o fluxo da juventude sem esquecer o público que ajudou a construir a história do evento desde a estreia no Jockey Club, em 2012.
“Temos que dialogar com várias gerações diferentes. Não podemos envelhecer junto com o público que nos descobriu. Quem foi ao Jockey em 2012 hoje leva o filho para Interlagos, e o line-up precisa servir aos dois sem virar museu. A regra para isso é simples: o que veio antes entra porque ainda está vivo, não porque dá saudade.” — Marcelo Beraldo
Esse equilíbrio se reflete diretamente na construção da programação, onde o calendário global da música desempenha papel decisivo na viabilização das atrações. Entre rotas sul-americanas, logística de turnês e a vontade de trazer nomes desejados, o festival aposta na persistência.
Exemplo disso são atrações icônicas como Charli XCX e Travis Scott, que integravam o line-up cancelado de 2020 e agora finalmente desembarcam no palco do evento. A edição comemorativa traz no topo de seu cartaz gigantes do rock internacional como Queens of the Stone Age, The Killers e The Prodigy, dividindo espaço com nomes que lideram a nova onda indie, como Fontaines D.C., Geese e Cage The Elephant.
De acordo com o diretor, a presença desses ícones não é uma celebração estática do passado, mas sim um reflexo de como a guitarra continua urgente na música contemporânea. “Queens, Killers e Prodigy não estão lá como passado, estão porque a guitarra voltou ao presente, e Fontaines, Geese e Cage the Elephant são a prova disso. Cada artista foi escolhido pensando em quem toca antes e depois dele: o fã do Queens que entra para ver o Queens sai tendo descoberto um Budang por exemplo.” — Marcelo Beraldo
Capturando o momento em que a cultura clubber e o dance pop voltam a dominar as paradas globais, a curadoria pensou a vertente eletrônica de forma integrada a todo o final de semana.
O alinhamento traz a aclamada Charli XCX em sua melhor fase, ao lado de fenômenos da vertente eletrônica em escala de estádio como David Guetta e da projeção internacional do brasileiro Mochakk, além de nomes pulsantes do underground e da cena contemporânea, como Boys Noize, Marlon Hoffstadt, Kenya20Hz e Clementaum.
“Pensamos a pista como uma linha que atravessa o fim de semana inteiro, não como um palco à parte. Charli no meio de uma virada de era, Guetta como o pop de pista em escala de estádio, Mochakk como o brasileiro que virou nome global — e, embaixo deles, quem está fazendo a cena agora.” — Marcelo Beraldo
Se a trajetória de 15 anos pudesse ser sintetizada no sentimento que fica ao apagar das luzes no último headliner de domingo, a palavra escolhida pela direção é clara: conectado. Ao refletir sobre o impacto da edição e a recepção dos fãs nas redes sociais, Beraldo resume a essência do que o festival busca proporcionar:
“A sensação que queremos que os fãs tenham está num comentário que li no dia do anúncio: ‘parece que fizeram esse Lolla especialmente pra mim’.” — Marcelo Beraldo
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