O último show de Shakira em Copacabana, no dia 2 de maio, foi um daqueles eventos que nascem com status de história pronta. A praia virou um verdadeiro “altar do planeta”, reunindo uma multidão de fãs para assistir aquela que, para muitos, é a maior artista latina de todos os tempos. E ela provou exatamente o porquê.
Mas nem tudo fluiu como deveria.

Foto: reprodução/Instagram @shakira.
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O atraso de 80 minutos, causado por motivos pessoais, quebrou o clima de expectativa. Em um evento dessa magnitude, o tempo pesa — e pesou. Quando finalmente subiu ao palco, Shakira ainda enfrentou outro tropeço estratégico: abriu o show com uma música desconhecida. Faltou aquele impacto imediato, a entrada arrebatadora que conecta artista e público nos primeiros segundos.
E essa conexão demorou — ou talvez nunca tenha vindo completamente.

Foto: reprodução/Instagram @shakira.
O repertório seguiu com um desfile de hits, praticamente um compilado da carreira. Ainda assim, algo curioso aconteceu: mesmo com tantos sucessos, a plateia não responde na intensidade esperada. Faltou entrega do público, faltou aquele coro ensurdecedor que transforma um grande show em um momento inesquecível.
O ponto de virada veio com as participações. Anitta, Caetano Veloso, Ivete Sangalo, Maria Bethânia e a bateria da Unidos da Tijuca trouxeram o calor que faltava, elevando a energia e dando ao espetáculo um peso cultural ainda maior. Ali, sim, Copacabana pareceu acordar.
Mesmo com esses altos e baixos, o que Shakira entregou foi inegavelmente grandioso. Ela tinha todos os motivos para não realizar o show, mas escolheu estar ali — e fez disso um ato de respeito ao público que esperava há meses. No palco, mostrou força, domínio e uma presença que poucos artistas no mundo têm.

Foto: reprodução/Instagram @shakira.
Foi um show empoderado, majestoso, uma verdadeira aula de cultura latina. Um espetáculo histórico — não só pelo tamanho, mas pelo simbolismo.
A ironia é que, diante de tudo isso, faltou reciprocidade. O público, por diferentes razões, não conseguiu devolver na mesma altura.
No fim, fica a contradição: Shakira entregou um dos maiores shows da sua carreira — e talvez da música latina –, mas saiu de Copacabana sem viver plenamente a troca que transforma grandes apresentações em momentos eternos.
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